Delegacia do Rio promove cursos de alfabetização e sessões de cinema
Por Ricardo Tacioli
Jornalista e advogado, Zaccone instalou biblioteca e cursos na carceragem da 52a DP. Cia de Foto
O discurso é claro e envolvente. O orador desfila o texto citando Michel Foucault e Octavio Paz, e passa por temas caros à Sociologia e ao Direito. Assim foi a apresentação de Orlando Zaccone, 44, delegado titular da 52a DP de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense (RJ), no Itaú Cultural, nesta terça-feira, 21 de outubro, durante a programação do Antídoto - Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito.
Além da oratória ilustrada, Zaccone é um delegado que se diferencia do estereótipo do policial pela forma como lida com os detentos em sua delegacia. “O sistema prisional é uma máquina de moer pessoas”, disse Zaccone para quem o crime é uma forma de muitos se incluírem socialmente.
Baseado em sua formação acadêmica e na legislação que prevê assistência educacional e de saúde para aqueles que tiveram a liberdade cerceada, Zaccone implantou o projeto Carceragem Cidadã, que promove atividades culturais junto aos detentos de sua delegacia. Há cinema, com o Cine Clube 52ª, que exibe trabalhos audiovisuais seguidos de palestras e shows musicais, o jornal O Sol Quadrado Também Brilha!, feito pelos detentos, cursos de alfabetização, biblioteca e assistência médica. Os resultados positivos dessa experiência apontam caminhos para lidar com o problema da multilplicação e perpetuação da violência pós-prisão, desconstruindo a máxima de que cadeia é a escola do crime.
Mas antes de assumir a cadeira de delegado de Polícia Civil em 1999, Zaccone despejava seu nanquim em textos sobre comportamento e produção artística nos cadernos culturais de jornais cariocas. Somente depois, graduou-se em Direito e ingressou na Polícia. Mestre em Ciências Penais, atualmente faz doutourado em Ciências Políticas na Universidade Federal Fluminense.
“Tenho informações de diferentes áreas e procuro agir de acordo com o pensamento crítico que desenvolvi nesses cursos”, afirmou em entrevista do Blog Zonas de Conflito, que pode ser lida logo abaixo.
Zaccone, por que a Polícia?
Esse foi o primeiro concurso que passei. Quando fui fazer o curso de Direito, eu já trabalhava com o meu pai, que foi uma questão de foro íntimo, porque eu já tinha uma família constituída e o mercado de jornalismo não estava bom para mim. Tive uma brecha para trabalhar com o meu pai, mas teria de fazer o curso de Direito. E depois de formado vi que a vida de advogado é muito difícil para quem não tem um escritório forte de família. E o caminho natural para mim e para muitos brasileiros foi o concurso público. Comecei a prestar concurso sem definir nenhuma preferência. Fazia para Defensoria Pública, Polícia, Ministério Público, Magistratura. E o primeiro que passei foi pra Polícia Civil. Eu tinha muita vontade de fazer um mestrado, pois fiquei estudando três anos para o concurso. Assim que passei, priorizei minha formação acadêmica. Também sou professor. Depois de me aposentar como delegado, tenho vontade de me dedicar exclusivamente ao magistério.
Como jornalista, em qual editoria você atuava?
Por incrível que pareça, nunca trabalhei com (a editoria de) polícia, sempre foi com cultura. Trabalhei no Segundo Caderno, do Globo, e uma época na Revista de Domingo, do Jornal do Brasil. Sempre trabalhava com matérias de comportamento e da área de cultura.
Sua formação se diferencia muito do meio policial. Como ela é vista?
Infelizmente a formação dos policiais, principalmente dos delegados, é uma formação jurídica nos cursos de Direito. Há no Brasil um distanciamento muito grande do ensino jurídico das Ciências Sociais. Esse esvaziamento era uma estratégia. Então, matérias como Sociologia Jurídica e Filosofia do Direito, que são importantíssimas, sempre foram relegadas ao segundo plano nas Universidades. O que formamos hoje são técnicos em Direito. E os concursos públicos em todas as carreiras cobram um conhecimento técnico, um conhecimento da norma deslocado de qualquer visão social de sua aplicabilidade. Isso é muito ruim, porque temos hoje não somente delegados, mas tem juízes, promotores de justiça, defensores públicos que não têm uma visão crítica do trabalho que exercem. Aliás, isso não é um atributo somente de quem tem formação jurídica. Mesmo no jornalismo são poucos os que têm um conhecimento mais aprofundado e crítico da sua própria área de atuação. A mesma coisa com os médicos. Na verdade, se formos a fundo veremos que o tecnicismo tem prevalecido em todos os ramos do conhecimento, provocando esse esvaziamento das ações sociais dos agentes públicos. Você despolitizou a atuação profissional de vários segmentos; evidentemente que na área jurídica isso também se deu. E no caso da Polícia, a coisa fica mais gritante por conta do estereótipo do policial.
Zaccone, qual foi o estopim para você começar a trabalhar com cultura na carceragem?
Primeiro foi uma postura política que sempre tive. Tentei juntar a minha produção acadêmica com uma atuação profissional condizente. No mestrado produzi uma obra que foi publicada – Acionistas do Nada – Quem São os Traficantes de Droga. Então já tinha observado a seletividade punitiva, ou seja, os encarcerados são escolhidos entre os setores mais vulneráveis da sociedade. Isso existe por trás dos discursos punitivos de emergência, que tenta resolver os problemas do nosso modelo econômico por meio do encarceramento dos pobres, do extermínio dos que se rebelam. Então, tive muita vontade de aplicar essa visão crítica que adquiri por meio dos estudos. O criminoso que é preso em flagrante normalmente é o criminoso trapalhão, aquele cara enrolado, um batedor de carteira da pior qualidade. Esses caras estão enchendo os cárceres, assim como essas mulheres que tentam botar drogas nos presídios para os companheiros. Elas são selecionadas e rotuladas como verdadeiras traficantes. Então, estão ali por uma situação de vulnerabilidade e a gente tem de dar uma contrapartida. A sociedade tem de observar isso e entender que é mais do que necessário a gente dar um freio nesse sistema punitivo oferecendo algumas opções. Eu não trato mais a questão como ressocialização, porque acho que ressocializar é você devolver o cara para uma sociedade na qual ele já estava inserido, mas ele nunca esteve inserido nesse ambiente social. Hoje a gente trabalha com a idéia de redução de danos, ou seja, fazer com que a permanência o preso para cumprir sua medida punitiva seja feita de uma forma mais humana, que não gere violência institucional. Na verdade, pra mudar o quadro atual tem de atacar o modelo econômico, que já está mostrando que é fraco. Quando a gente iria imaginar que o Estado teria de botar dinheiro no sistema econômico. O papo não era que o capital se auto-regulava? E agora? É desse capitalismo tardio a estratégia de resolver problemas sociais por meio do encarceramento, do extermínio das “classes perigosas”. No entanto, isso é um processo autofágico, porque a reprodução da violência e da vulnerabilidade no cárcere depois retorna para a sociedade, porque esse preso não vai ficar lá pra sempre, ele vai voltar. Estamos alimentando o problema, e não resolvendo.
Há uma rotatividade de presos na delegacia?
Uma das nossas maiores dificuldades é exatamente essa. A rotatividade é muito grande. Para você ter idéia, conseguimos emitir 102 títulos eleitorais na unidade seis meses antes das eleições. Esse é o projeto Voto do Preso (permitido a presos provisórios). Seis meses se passaram e eu tinha somente 54 presos na unidade com o título para votar. Muitos saíram em liberdade. Mas tem um dado interessante: sete presos que estavam soltos foram à carceragem somente para votar. Isso foi muito legal, porque nem nós da administração esperávamos que um cara que já estava solto retornaria à carceragem para alguma coisa. Mas eles estiveram lá, acreditaram no projeto. Então, essa rotatividade é um problema, mas a gente não pára. Muitos presos começam a fazer o supletivo da primeira à quarta série do ensino fundamental, que dura um ano, mas com três, quatro meses conseguem o Alvará de Soltura. E o que vamos fazer? Aqueles dois, três meses estudados pra ele representam uma experiência de vida que a gente não consegue vislumbrar. Uma vez um preso, num debate em sala de aula, se emocionou, começou a chorar e disse para a professora que por alguns segundos teve a sensação de que estava livre. Então, criar dentro do cárcere um espaço para que os presos exponham suas idéias, dialoguem sobre vários temas, tenham sua voz colocada, representa muita coisa para eles.
E qual é a possibilidade de multiplicação dessa experiência em outras delegacias?
Vou ser sincero: atualmente vislumbro isso, porque os nossos esforços pra avançar naquele espaço são tão grandes e os resultados demoram tanto a vir que se tentássemos expandir isso acabaria encerrando o que conseguimos estruturar. Na verdade, são ações pequenas que darão um resultado maior. Em vez desse projeto ser estendido imediatamente a outras delegacias, prefiro que um preso que sair da carceragem e ingressar no sistema, se reúna com presos e eles mesmos consigam, junto às autoridades que estiverem gerenciando aquela unidade, implementar. São coisas que dependem de vontade política simples. Eu peguei um telefone, liguei para a Secretaria Estadual de Educação e disse que queria falar com o Secretário de Educação. “Tenho um espaço na carceragem. Posso conseguir doação de cadeiras, carteiras, quadro negro, mas eu preciso professor. Você consegue?” “Claro, consigo!” Botou dois! Sabe, às vezes com uma ligação telefônica você monta uma escola dentro da carceragem. Não é uma coisa que requer um volume grande de investimento, de recursos. É na simplicidade dos pequenos projetos que a gente vai avançar.

É de pessoas como o delegado Zaccone que precisamos na polícia, para que esta possa ser considerada como uma “instituição de direito, legítima e pública”, ou seja, a serviço da sociedade.
Comentário por Henrique Ribeiro — outubro 22, 2008 @ 7:28 pm
Parabéns, iniciativa assim muda um país. MV BIL, e agora, Zaccone. Só mesmo um cara com uma visão, estudo e boa influência de berço familiar pra agir assim.
Comentário por Fabrício — outubro 22, 2008 @ 7:31 pm
Nobre Dr. Zaccone, boa tarde.
Espero que, a exemplo das demais ações implementadas no Brasil, essa sua abençoada idéia não enrosque na corrupção.
Comentário por João — outubro 22, 2008 @ 7:35 pm
É por ter certeza que existe gente (homens) assim que nós encontraremos uma solução p/ superar esta situação de violencia, banalidade e futilidade que tanto nos afligem.
Idevaldo
Comentário por idevaldo Antonio neves — outubro 22, 2008 @ 7:36 pm
Otima iniciativa, que Deus o ajude e que esse espirito de mestre, utilizando a cultura como forma de transformação humana permaneça sempre com elel!!
Comentário por Fernanda — outubro 22, 2008 @ 7:36 pm
Muito bom! Vamos substituir a truculência brasileira desnecessária por cidadania, e passar a usá-la quando se fizer necessário, como com os Lindembergs da vida.
Comentário por Romulo Castello — outubro 22, 2008 @ 7:38 pm
muito boa essa matéria!
parabens para esse delegado, que tem uma boa visão social de como realmente as coisas funcionam na sociedade.
eu tambem sou policial e penso dessa maneira.
infelizmente a maioria dos policiais não pensam assim.
Comentário por paulo — outubro 22, 2008 @ 7:38 pm
Nunca vi uma pessoa tão pretensiosa como esse delegado, nem alguém que dissesse tanta bobagem.
Comentário por Carlos Silva — outubro 22, 2008 @ 7:38 pm
Pessoas como o Dr Zaccone enobrecem a Polícia .
Comentário por FREDDY COSTA — outubro 22, 2008 @ 7:42 pm
É UM EXEMPLO MUITO CONSTRUTIVO, UMA INICIATIVA QUE MERECE SER SEGUIDA POR OUTROS DELEGADOS. O ZACCONE EXPOE DE FORMA INTELIGENTE QUE É PRECISO TER UMA VISÃO CRITICA DA PROFISSÃO. O QUE VAI PERMITIR AO PROFISSIONAL CONDUZIR SUAS AÇÕES COM AGILIDADE CAPAZ DE OPERACIONALIZAR RAPIDAMENTE OS RESULTADOS, DESVIANDO DOS ENTRAVES BUROCRÁTICOS QUE O SETOR PÚBLICO CARREGA.
PARABÉNS
Comentário por SAULO — outubro 22, 2008 @ 7:43 pm
Parabens pela materia, o Brasil precisa de ser superficial, o que precisamos é de ação simples, mas de profundo resultado, a continuação desse processo tinha que ser obrigação do Estado, quando o cidadão sai da cadeia, onde ele teve um processo de aprendizagem que lhe deu crescimento, ele teria que ter esse tratamento fora da cadeia, teria que ter esses cursos nas associaçoes de Bairro, enfim precisamos parar de hipocrizia.
Comentário por pedro roberto matheus munhoz — outubro 22, 2008 @ 7:43 pm
Dr. Zaccone, fiquei emocionado com o seu ponto de vista o que julgo um iluminado dentro dos padrões policiais.
Parabens.
Comentário por José Orleans Castro — outubro 22, 2008 @ 7:46 pm
Puxa! que coragem, que lucidez, que boa vontade!!!
Precisamos de mais delegados assim, de mais homens públicos assim.
Queremos mais pessoas como esse Orlando Zaccone!!!
Se não existirem, que se façam clones desse homem!
Parabéns!! e Obrigado (afinal, posturas como essa nos fazem acreditar que a sociedade em em que estamos pode melhorar)!!
Comentário por joao candelária — outubro 22, 2008 @ 7:49 pm
Protógenes, Zaccone, Joaquim Barbosa e outros “Republicanos” têm elevado o nível do debate institucional e o papel do Estado na construção dos ideais da sociedade.
Tomara que o Blog continue a cobrir essa discussão que , silenciosamente, está ajudando a construir um novo Brasil.
Comentário por Fernando — outubro 22, 2008 @ 7:52 pm
Iniciativas como essa devem ser mais divulgadas. Parabéns pela entrevista e pelo blog.
Grande abraço!
Comentário por Carlos Moura — outubro 22, 2008 @ 7:54 pm
Parabéns ao Dr. Zaccone, o mundo precisa de gente assim. Não desista desse projeto Dr., insista, e que sirva de exemplo para nós que queremos ser verdadeiros cidadãos.
NOTA: Um trabalho valiosíssimo desse, deveria ser divulgado largamente nos meios de comunicação, mas será porque isso não acontece?
Parabéns.
Comentário por Anderson — outubro 22, 2008 @ 7:57 pm
Parabens ao Dr. Zaccone pela louvavel iniciativa. Recuperar a cidadania de um preso eh um desafio dos mais dificeis e creio que o projeto “carceragem cidada” estah no caminho certo. Desejo todo o sucesso e uma expansao bem abrangente dessa abordagem inovadora e bem fundamentada. A educacao transforma pessoas e forma cidadaos.
Comentário por Helton — outubro 22, 2008 @ 7:58 pm
ACHEI E TENHO A CERTEZA QUE ESTE DELEGADO ESTA NO CAMINHO CERTO,TEMOS QUE AJUDAR AS PESSOAS MUDAREM DE VIDA SE NÃO VAMOS CONTINUAR A VIVER MAIS E MAIS COM ESTES PROBLEMAS,SOMENTE A EDUCAÇÃO VAI RESOLVER E MELHORAR ESTE BRASIL,PARABÉM DR. DELEGADO,GOSTARIA DE PARABENIZAR PESSOALMENTE,PENA QUE ESTOU AQUI NO SUK DO BRASIL.
Comentário por MARCOS COUTO — outubro 22, 2008 @ 8:00 pm
Raros são os que se dão conta da importante missão que podem cumprir no simples desempenho de suas atribuições, transformando assim o simples quotidiano em oportunidade de crescimento e aprendizado, tanto pessoal quanto coletivo. Em especial quando se trata de um sevidor público como o policial, que possui o poder de fazer a diferença na vida de muitas pessoas no momento em que elas menos esperam e, não raro, quando mais precisam.
Mas é isso mesmo. Há muito já foi dito que a messe é grande e os trabalhadores, escaços… Parabéns! Você sem dúvida é um deles.
Comentário por Herald — outubro 22, 2008 @ 8:02 pm
Brilhante texto.
mostra a realidade do sistema carcerário, que guarda correlação direta com o modelo economico atual (capitalismo).
Essa visao é chamada de criminologia crítica (ou radical), e rechaça qualquer proposta de políticas penais de ‘tolerância zero’ e afins, que notadamente sao ineficientes, tal com a atual lei seco.
parabens ao delegado, e parabens ao site, por dar espaço a este tipo de matéria, que geralmente é ignorada pela mídia.
Comentário por Flavio — outubro 22, 2008 @ 8:03 pm
Fico emocionado ao ver uma atitude digna de um ser verdadeiramente humano, parabens, sao essas noticias que me fazem crer que a humanidade evolui, lentamente, mas evolui.
Comentário por leonardo — outubro 22, 2008 @ 8:07 pm
O que foi sintetitzado por este delegado na entrevista é algo que muitas dissertações de mestrado ou teses de doutorado jamais fizeram. A começar pela idéia central: vivemos um sistema econômico que “seleciona” os que devem sofrer as ações da Justiça - no caso, os pobres, sem acesso a cultura, educação e poder político/econômico. Outro ponto importante: a educação é a chave tanto para evitar que um jovem opte pelo caminho do crime, quanto para inserir na sociedade quem sempre esteve alijado da vida como cidadão. Educação é a base para entender e mudar o sistema econômico em vigor - falho, corrupto, mesquinho, desleal e contraditório. A crise gerada no mercado americano foi muito bem contextualizada pelo delegado. Ainda sobre educação, Orlando Zaccone foi de uma precisão irretocável: nossa sociedade está permeada por pessoas com formação técnica, acrítica, destituída de qualquer ligação com o meio social - a chamada educação para o mercado. E essa visão de mundo como “mercado” , alimentando o consumismo, está trazendo as conseqüências sociais a que assistimos todos os dias no noticiário (essa roleta-russa). Pena que poucos tenham condições de ligar as conseqüências às suas verdadeiras causas. As medidas para começar a mudar esse quadro de injustiças sociais, como Zaccone bem explicou, são simples. Pena que falte vontade política aos governantes; pena que os cidadãos estejam esquecendo o real significado da palavra Cidadania. Pena que aqueles atributos (gentileza, simpatia, garra e honestidade), característica una da população brasileira, estejam se perdendo no mar da corrupção que assola nossas instituições públicas e privadas. Vejo uma chance de reação nos cidadãos - naqueles que não se cansam em sonhar, e trabalhar, para um mundo melhor para as futuras gerações. Gente que não se conforma em ver jovens jogando fora suas vidas por ignorância e falta de perspectivas. Parabéns, Orlando Zaccone, pela lucidez e pela iniciativa!
Comentário por Marcelo Lopes — outubro 22, 2008 @ 8:08 pm
Concordo plenamente com as idéias e atitudes deste Delegado. Se tivessemos políticos com este raciocínio o sistema prisional não seria uma pós-gradução do crime.
Comentário por Osvaldo Antunes de Sousa — outubro 22, 2008 @ 8:08 pm
Digna de aplauso e paradigma de conduta no meio policial essa ação do delegado. Oxala, Brasil afora tivéssemos ações semelhantes. Parabéns CIDADÃO Orlando Zaconne.
Comentário por Manoel Venceslau — outubro 22, 2008 @ 8:09 pm
“Voltarei e serei milhões” !
Força sempre Delegado !
Comentário por RESISTÊNCIA — outubro 22, 2008 @ 8:09 pm
Parabéns ao delegado e obrigada por ajudar a manter acesa a esperança de uma sociedade mais justa.
Comentário por Meire — outubro 22, 2008 @ 8:12 pm
Meus parabéns. Que esperança nos traz esse ainda jovem delegado, formado em jornalismo e que exereceu a profissão nas redações, mesmo que fora da editoria de polícia. É de dar muita esperança mesmo. Vamos diminuir a criminalidade, antes que combatê-la com a força. Uma coisa não é excludente da outra., mas diminuir é bem mais fácil, como nessa experiência exitosa. Abraço. Felicidades.
Jornalista Roberto Brenol Andrade, editor de Opinião do Jornal do Comércio de Porto Alegre.
Comentário por Roberto Brenol Andrade — outubro 22, 2008 @ 8:17 pm
Visão clara, direta e extremamente humana desse delegado. Nossa sociedade escolhe os culpados pelo fracasso de um sistema cecular dentre as maiores vítimas desse mesmo sistema.
PARABÉNS pelo trabalho Orlando Zaccone!
Alexandre/SP.
Comentário por Alexandre de Paula Silva — outubro 22, 2008 @ 8:17 pm
O JORNALISTA E ADVOGADO DR. ZACCONE , LOGO LOGO ESTARÁ PREITEANDO ALGUM CARGO POLÍTICO.
NATURALMENTE ELE ESTA DE OLHO NOS VOTOS DOS APENADOS! - É SÓ CONFERIR .
Comentário por ANTONIO — outubro 22, 2008 @ 8:18 pm
Parece simples, não? E é! Imaginem se cada um, na sua área, se importasse com alguém além de si próprio. O mundo seria outro. Parabéns Orlando Zaccone, é assim que se contribui para “fazer” um país. Ótimo exemplo a ser seguido por grandes e pequenos. E é óbvio que ele não vai parar por aí. Vai muuuuito longe ainda.
Comentário por Paulo Aranha — outubro 22, 2008 @ 8:18 pm
Zaconne é coisa rara entre esses técnicos da justiça, sejam eles delegados especializados em prender, juizes, escolados em sentenciar, advogados tecnicistas que aprendem a usar as leis para acusar ou defender e tirar proveito de algo, como na justiça do trabalho. Mas há a questão principal sem a qual nada funciona a bem da verdade, da justiça, da moral e do bem: a ética. Parte da Filosofia do Direito, que todos os “juristas” formados por aí desconhecem absolutamente, e que se liga à filosofia e antropologia, que se estendem a tudo e dão sustentação para construção de uma nova sociedade. Para se dar um passo, basta querer, esta é a questão. E uma nova visão e compreensão do ser humano vem à tona, não classista, mas de um ser humano verdadeiramente humano, planetário, solidário.
Comentário por Noel Nascimento Filho — outubro 22, 2008 @ 8:23 pm
Genial, tanto o delegado quanto o dono do blog. Eu não conhecia esse blog, mas todos os textos que estão aqui é tudo o que pensei pra uma sociedade melhor e mais integrada em todas as classes sociais. parabéns para ambos!!!
Comentário por Renato Garcia Pereira — outubro 22, 2008 @ 8:24 pm
Olá! Eu gostaria muito que o Sr. Zaccone pudesse ler isso.
Fiquei realmente tocado, emocionado ao ler essa reportagem e saber que existe alguém que pense e faça coisas desse tipo, não podemos mais viver da forma que as coisas se mostram, transformar tudo em número, estatísticas e percentuais. É preciso humanizar.
Levar essa humanização para dentro do presídio é salvar a dignidade tanto dos presos que tem a oportunidade de participar do projeto quanto do resto da sociedade que recebe de volta um cidadão e não mais um ex-presidiário sem oportunidade e mais violento.
A vida não se mostra fácil para a maioria das pessoas; se eu, um jovem de classe C, já sofro com toda a desigualdade, a dificuldade pra dar continuidade aos meus estudos, e a falta de oportunidades de trabalho e crescimento, o que dirá das pessoas que muitas vezes, e por passar situações ainda mais difícies que a minha, caem no crime.
Sr. Zaccone, meus Parabéns!
Comentário por Pedro Torres — outubro 22, 2008 @ 8:32 pm
Eu jamais li uma entravista tão esclarecedora sobre o sistema prisional no Brasil, como essa. Pessoas assim é que nos dão o orgulho de ser brasileiros.
Comentário por Marcos Menezes — outubro 22, 2008 @ 8:35 pm
É impressionante e totalmente inesperado tanta clareza e lucidez em um delegado, e ainda por cima comprometido com o que faz. Parabens!
Comentário por Maria D. figueiredo — outubro 22, 2008 @ 8:54 pm
Uma excelente reportagem. O sistema carcerário serve como “peneira” para extrair as mazelas do neoliberalismo. Parabéns a este delegado pela coragem de expor suas idéias e pensamentos em épocas de turbulência no sistema econômico (e político).
Comentário por Charles Piero Siemeintcoski — outubro 22, 2008 @ 8:56 pm
Muito gratificante saber que existem pessoas preocupadas com os presos, desejo que essas atitudes se multipliquem pelo país. Não sabemos o que a vida nos reserva e um dia, por algum motivo, um de nós ou nossos parentes que tanto amamos podem se tornar um deles. Pensar nessas pessoas como humanos e principalmente, tentar ajudá-los é fundamental para a melhoria da sociedade.
É uma pena que eu esteja longe a ponto de não poder acompanhar esse projeto. Parabéns!
Comentário por Clarissa — outubro 22, 2008 @ 8:59 pm
Delegado: como gostaria saber… ! Perguntaria: o que significa “exatamente”: “…que tenta resolver os problemas do nosso modelo econômico por meio do encarceramento dos pobres, do extermínio dos que se rebelam” ? Existe algum outro modelo economico, que da melhor resultado ? Não seria por acaso, o modelo “educacional” fayuto, o que está falhando e fayutando ? Não é eminentemente, uma falha ENORME da “falta de educação” (em crescendo…!), que está ocasionando, que a sociedade vai de mal, para pior ? O numero de presos, em função da quantidade de delitos, deveria ser MUITO maior ! Incluidos os de “colar braco” ! Gostei que vc. mesmo menciona, a “falha enorme”, da falta de formação mais “humanista” e menos “tecnicista”, dos profissionais, no geral ! O que provoca, por exemplo, que tenhamos leis, que não propiciam o avanço da sociedade, para patamares de maior nivel, que nos levem para o “primeiro mundo” ! Da civilização ! ! Reformas ? Nada ! Ação da OAB, para coibir e castigar os abusos e corrupção de politicos ? Nada ! Elevar o nivel dos castigos, para tornar a noção de inpunidade, mais “valida”, para a juventude ? Nada ! Por tanto, meu caro delegado: parabens, pela obra de merito que o Sr. desenvolve ! Mas…, não é o “nosso modelo economico”, o problema ! A não ser…, que o Sr. goste de…, camisas vermelhas; como o apedeuta, o “comico chavez, o “hermano evo”… ! Todos “minusculos”, como minusculos os cidadãos “cegos”, que os votaram…! Educação, mais “formativa”, em VALORES ! Eis a chave !
Comentário por angelo — outubro 22, 2008 @ 9:20 pm
Fiquei realmente impressionado com a hombridade desse cidadão e com a forma clara e humana como ele trata os presos. Idéias muitos possuem, mas poucos conseguem colocá-las em prática e exatamente pelo motivo que ele falou. Vontade!
Fico feliz em saber que existe na polícia alguém com tal mentalidade, capaz de fazer a diferença!
Os meus sinceros agradecimentos à esse grande delegado.
Por maior que seja a tarefa, o que a desempenha deve mostrar uma grandeza ainda maior.
(Baltazar Gracian)
Comentário por João Leme — outubro 23, 2008 @ 1:53 am
Pena que uma reportagem de tamanha importância passe assim tão despercebida pela nossa sociedade.
A mídia perde uma oportunidade de ouro ao não substituir o noticiário deprimente do dia-a-dia por pensamentos como esse.
Confesso que, como a maioria dos brasileiros eu também não vislumbrava uma maneira melhor de lidar com a delinquência inserida nessa grande parcela de pobres brasileiros.
Parabéns Dr. Zaccone!
O Sr. mudou a minha maneira de pensar!
Comentário por Vital Cavalcante — outubro 23, 2008 @ 11:12 am
sou policial civil do Rio de Janeiro e estou acompanhando atentamente este magnífico trabalho que o Dr. Orlando Zaccone vem fazendo com a carceragem da delegacia da qual é titular. É impressionante a mudança de comportamento dos presos daquela delegacia. Um trabalho que deve ser acompanhado por todos.
Parabéns pela matéria!!!
Comentário por SIDNEI SANTOS — outubro 23, 2008 @ 7:51 pm